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A ação anti-inflamatória e antiartrítica das folhas de Ameixa Amarela (Eriobotrya japônica): Novas alternativas de tratamento

 A inflamação é um processo natural do nosso corpo, mas está envolvido em muitas doenças como artrite reumatoide, osteoartrite, aterosclerose, diabetes mellitus, infecção, alergia e câncer. Sua principal função é agir como um ‘’alarme’’ que nos avisa e avisa ao restante do corpo que algo de errado está acontecendo, ele utiliza de 5 sinais para esse aviso: calor, rubor, edema, dor e perca da função, esses sinais são causados pela mobilização de personagens muito especiais para o local do problema, esses personagens são as células de defesa, os leucócitos. Chegando ao local, as células de defesa reconhecem o problema, problema esse que pode variar desde uma lesão na pele, na musculatura, invasão de algum agente infeccioso como bactérias ou vírus, após o reconhecimento a ação é executada, reparando o tecido danificado e destruindo os agentes infecciosos. Esse processo inflamatório de mobilização de células de defesa, combate a agentes e reparação deve cessar em algum momento devido aos produtos gerados durante o processo como toxinas que combatem os agentes infecciosos, mas o que acontece quando esse processo não cessa? Se inicia a inflamação crônica, responsável pela grande maioria dos processos inflamatórios nas articulações como a artrite reumatoide.

Os processos inflamatórios nas articulações são condições multifatoriais que afetam uma média de 23% dos adultos no Estados Unidos, com forte impacto na qualidade de vida das pessoas devido a variedade de sintomas como: dor, inchaço, diminuição da amplitude de movimento e rigidez. Várias classes de drogas, tais como anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), corticosteroides, Drogas anti-reumáticas modificadoras de doença (DMARDs) são utilizados para tratar essas doenças inflamatórias, estes apresentam propriedades analgésicas, anti-inflamatórias, mas esses fármacos possuem alguns problemas quando se trata de inflamação crônica, na qual é necessário um uso prologando dos mesmos, grande parte desses medicamentos anti-inflamatórios prescritos apresentarem sérios efeitos colaterais como, hipertensão, hiperglicemia, aumento da susceptibilidade à infecção, osteoporose, glaucoma, problemas cardiovasculares, além do alto custo com o tratamento.



Se baseando nessas informações, um grupo de pesquisadores de 3 universidades do Mato Grosso do Sul – Brasil (UFGD;UFMS;Unigran) começou a buscar alternativas de tratamentos, onde focaram nas plantas medicinais muito utilizadas por diversos povos e culturas para tratar variados problemas de saúde. A vantagem para o uso das plantas como terapia alternativa no tratamento de inflamação, se dá devido a grande quantidade de espécies e da grande quantidade de ativos químicos presentes em cada planta, o que permite encontrar reações sinérgicas entre os ativos produzindo uma ação biológica, como a ação anti-inflamatória. Eles encontraram na vasta medicina popular, a Eriobotrya japônica, conhecida no Brasil como Ameixa Amarela ou nêspera, onde a infusão das folhas é usada para tratar problemas inflamatórios, com base nessas informações etnobotânicas e informações da literatura, decidiram avaliar o potencial anti-inflamatório e antiartrítico.

                                     Folhas e frutos de ameixa Amarela (Eriobotrya japônica)          

Os pesquisadores adquiriram as folhas por meio de uma fazenda privada, identificada e anexada no herbário da universidade federal da Grande Dourados (UFGD). Após a identificação, foi preparado extrato liquido utilizando metanol a 70%. Os testes foram executados in vivo utilizando camundongos, esses camundongos são divididos em grupos onde cada grupo recebe uma substância específica (Soro fisiológico, anti-inflamatório de referência, concentrações do extrato das folhas de ameixa amarela (30, 100, 300 mg/kg), depois da administração dessas substâncias, o agente que induz a inflamação é administrado, após cada tempo determinado por cada teste, os grupos são comparados estatisticamente para ver se houve alguma redução da inflamação em cada grupo.

 

Os testes foram capazes de mostrar que o extrato das folhas de Ameixa Amarela em todas as concentrações (30, 100 e 300 mg/kg) testadas diminuíram a quantidade dos leucócitos no local inflamado e de seus produtos, diminuiu também o edema do local, demonstrando um efeito anti-inflamatório sobre a inflamação aguda.

 

Após a confirmação do potencial anti-inflamatório, as concentrações que mostraram maior efeito (30 e 100 mg/kg) foram utilizadas nos modelos de inflamação crônica de artrite, onde o agente inflamatório é administrado nas articulações dos animais, onde foi demonstrado que o extrato de Ameixa amarela é capaz de reduzir a quantidade de leucócitos infiltrados na articulação, o edema e a dor quando comparados aos grupos que não receberam nenhum tratamento.

 

Os pesquisadores justificam esses efeitos devido a grande quantidade de compostos químicos presentes na folha da planta, que de forma sinérgica geram uma ação anti-inflamatória e antiartrítica; o estudo conseguiu mostrar que o extrato de ameixa Amarela (Eriobotrya japônica) pode ser um grande aliado complementar no tratamento da inflamação articular aguda e crônica, visto que teve ação eficaz e se mostrou seguro nos testes de toxicidade. Cabe agora executar novos estudos complementares para atestar seu uso em tratamentos humanos de forma eficaz e segura, trazendo benefícios para os pacientes tanto no estilo de vida como economicamente. 


Referências:

Ângela Midori Kuraoka-Oliveira, Joyce Alencar Santos Radai, Maicon Matos Leitão, Claudia Andrea Lima Cardoso, Saulo Euclides Silva-Filho, Cândida Aparecida Leite Kassuya, Anti-inflammatory and anti-arthritic activity in extract from the leaves of Eriobotrya japonica, Journal of Ethnopharmacology, Volume 249,2020,112418, ISSN 0378-8741, https://doi.org/10.1016/j.jep.2019.112418.

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