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Identificação de ipês por DNA barcoding


 Data da publicação: 8/3/2021

Fonte: Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

Resumo: O marcador molecular trnH-psbA sozinho é capaz de identificar espécies de ipês (Bignoniaceae)


História completa

Paola Gomes Silva, então aluna do Programa de Pós Graduação em Biologia Vegetal, é a autora principal do estudo cujo objetivo era utilizar marcadores moleculares para a identificação de espécies de plantas popularmente conhecidas como ipês, muito utilizadas em arborização urbana e de madeira nobre. O estudo, está publicado no Repositório UFMS.

Os ipês são árvores de grande apreciação popular, devida exuberância de suas flores. No inverno elas perdem suas folhas, que dão lugares a muitas flores vistosas de cores intensas. Também são muito exploradas ilegalmente, pois sua madeira é considerada uma das mais caras do mundo. No final do ano de 2020, as espécies de ipês foram retiradas da lista da IUCN, atitude que flexibilizaria a exploração dessas árvores.

Tendo em vista a importância dessas espécies vegetais, os autores desenvolveram ao longo de dois anos, em laboratórios da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), uma pesquisa para identificar ipês urbanos da cidade de Campo Grande, MS, utilizando a ferramenta de identificação molecular DNA barcoding.

Foram feitas coletas de folhas para a extração do material genético, que foi extraído e amplificado por Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), com os marcadores trnH-psbA e matK, e depois então foi feito o sequenciamento. Posteriormente, foram feitas análises que incluíram limpeza e alinhamento das sequências, pesquisas no banco de dados internacional de sequências GenBank e análises de Blast e máxima verossimilhança para a construção de árvores filogenéticas.

Os resultados mostram que o marcador matK, por configurar uma proteína importante para a manutenção da atividade celular, não apresenta sítios variáveis suficientes para separar as espécies nesse nível, somente a nível de gênero. As análises com os marcadores concatenados, não aumentou o nível de identificação a nível de espécie, mas contribuiu para aumentar o valor do suporte de sustentação dos ramos das árvores.

O marcador molecular plastidial trnH-psbA, se mostrou melhor para identificar essas espécies, pois trouxe um nível maior de resolução entre as espécies. A região intergênica trnH-psbA, apresenta maior variação e é comumente utilizada por pesquisadores para identificação de espécies vegetais. Por isso, era esperado que apresentasse maior resolução que o matK.

O DNA barcoding não funciona muito bem em casos de processos de diversificação recente, que parece ser o que acontece entre os gêneros Tabebuia e Handroanthus, que apresentam um histórico de classificação de muitas mudanças. Para o caso desses dois gêneros, algumas espécies, que são descritas como sinônimos, nenhum dos marcadores testados é capaz de separa-las. Esse resultado pode não parecer bem sucedido, mas retrata o processo natural de evolução e diversificação das plantas.

Em conclusão, os autores recomendam o uso do marcador trnH-psbA para a identificação de ipês e ressaltam a importância de trabalhos como esse para contribuírem com o banco de dados mundial de sequências de DNA e para o melhor entendimento das relações filogenéticas do grupo em questão. 


Fonte da história: Material fornecido por Repositório UFMS. 

Referência do estudo: 
1.  Paola Gomes Silva, Wellington Santos Fava, Aline Pedroso Lorenz, Flávio Macedo Alves.  Identificação de ipês (Bignoniaceae) por DNA barcoding. Repositório UFMS 2021.

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