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Orelhinha-de-onça: A doméstica de ambientes aquáticos, um potencial agente despoluidor

Vocês já devem ter ouvido falar da capacidade de plantas aquáticas em removerem contaminantes dos ambientes onde elas crescem. Essas plantas são conhecidas tecnicamente como “macrófitas aquáticas”, que do Grego significa Macro(Makro)= Grande, e Fita(Phyton)= Planta, são os vegetais superiores de ambientes aquáticos. Mesmo que essa capacidade de remover contaminantes seja algo reconhecido há mais de três décadas, ainda instiga curiosidade, e em relação a isso há uma pergunta importante a se fazer, e essa pergunta é: Como essas plantas removem esses contaminantes?


Imagem 1: Parque da Lagoa Comprida (Aquidauana/MS) - Lâmina d'água completamente coberta por Salvinia auriculata Aubl., foto feita em maio de 2021.

Estes contaminantes não são como nutrientes convencionais e necessários para o crescimento dessas plantas, portanto, as vias de entrada no organismo vegetal devem ser diferentes também.

Alguns pesquisadores indicam que os metabólitos secundários, compostos químicos produzidos por essas plantas, são possíveis agentes que auxiliam na entrada desses contaminantes, nosso grupo de pesquisa buscou investigar o papel desses metabólitos na remoção de um contaminante específico (o metal pesado cádmio). Para isso, amostras de Salvinia auriculata, conhecida popularmente como orelhinha-de-onça, foram coletadas em dois locais, sendo um deles no Parque da Lagoa Comprida em Aquidauana (Imagem 1), após coletadas elas foram secas, e depois divididas em dois grupos, sendo um dos grupos submetido à extração dos metabólitos que foram posteriormente analisados por cromatografia líquida (HPLC-MS/MS), uma técnica que auxilia na identificação desses compostos.

Com os dois grupos de plantas definidos, um sem metabólitos secundários (passado por processo de extração) e outro com os metabólitos secundários, um ensaio em laboratório simulando a remoção de contaminante cádmio foi realizado, os resultados foram analisados por espectrometria (ICP OES), técnica que permite quantificar quanto de metal há em uma determinada amostra.

Os resultados obtidos demonstraram que não houve uma diferença significativa entre amostras com ou sem metabólitos, embora o resultado não tenha sido o sugerido pelas pesquisas prévias, ainda sim serviu para reforçar a capacidade dessas plantas para remoção de contaminantes, outro aspecto positivo desta pesquisa foi a obtenção de um perfil químico dessa espécie, ou seja, os metabólitos que são produzidos por elas, algo pouco relatado até hoje, de posse dessas informações foi possível não apenas complementar as informações desse grupo de vegetais, mas também propor uma aplicação biotecnológica para estes metabólitos, assim como muitos avanços para novos medicamentos, produtos alimentícios ou outro segmento da indústria possibilitados por pesquisas semelhantes.

Dentre os metabólitos encontrados nessas plantas, alguns só foram identificados nesta espécie e suas estruturas sugerem possíveis atividades biológicas de interesse econômico, o próximo passo da nossa pesquisa é encontrar dentre esses metabólitos, aquele que colocara a espécie como uma importante e inovadora fonte de metabólitos para aplicação biotecnológica.

Augusto César Rodrigues

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