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Conversão de resíduos de papel em bioplástico de Ácido Poli-Láctico

    Atualmente estamos cercados de polímeros obtidos por base petroquímica e como não são biodegradáveis trazem vários prejuízos ao meio ambiente. A incineração e a reciclagem estão sendo opções disponíveis para dar destino aos resíduos descartados, mas ainda podem ser muito prejudiciais para a saúde humana e ambiental. Este problema encontrou uma solução no uso de microorganismos no processo de polimerização, sendo possível derivar polímeros biodegradáveis.

    Um grupo de pesquisadores da Universidade de Pokhara, coordenados por Bishnu Prasad Neupane, realizaram um estudo que visa a reciclagem e reaproveitamento de resíduos de papel celulósico para reduzir os níveis da poluição ambiental. O estudo foi desenvolvido com o objetivo de produzir um biopolímero de ácido poli-láctico (PLA) por polimerização de ácido láctico obtido a partir dos resíduos de papéis celulósicos por hidrólise química e pelo processo de fermentação.

    O PLA pode ser produzido por polimerização do ácido láctico, que é derivado da fermentação de açúcares de fontes de carboidratos como o milho, a cana-de-açúcar ou resíduos de papel. Como é de base biológica, o PLA é reabsorvível e biodegradável sob condições de compostagem industrial, e pode ser encontrado em muitas aplicações como embalagens, revestimentos de papel, fibras e filmes. A sua degradação foi extensivamente investigada e concluiu-se que pode ser realizada de forma segura por microorganismos, não sendo considerado prejudicial ao meio ambiente.

    No estudo, os resíduos de papel foram picados e tratados com água quente, peróxido de hidrogênio, hidróxido de sódio, silicato de sódio e laurilétersulfato de sódio, e para o processo de fermentação foi utilizada a levedura Saccharomyces cerevisiae. Foram também adicionadas pequenas lascas de madeira com a finalidade de fortalecer a mistura, que foi espremida e seca para remover o excesso de água.

    No processo, a levedura utilizou o açúcar liberado da celulose para seu metabolismo e assim a redução da concentração do açúcar foi diminuindo gradualmente. Esse açúcar foi metabolizado em piruvato, na via metabólica da glicólise, e o piruvato produzido foi convertido em etanol ou em ácido lático pela levedura. A quantidade de etanol aumentou constantemente, o que indica que o açúcar presente no substrato era completamente convertido nele.

    Quando o nível de etanol aumentava, o nível de lactato diminuía e assim vice-versa, o que indica as diferentes vias enzimáticas que estão envolvidas na produção de lactato e de etanol. A polimerização do ácido láctico resultou em um PLA branco e amorfo, sendo possível observar a formação de ácido poli-láctico do monômero para o polímero, que foi transformado em pó de ácido poli-láctico e pode ser usado na indústria de fabricação de bioplásticos, contribuindo assim com produtos ecologicamente corretos e com baixo custo de produção.

Selma Rodrigues Costa

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