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Explorando micosporinas como filtros solares moleculares naturais para a fabricação de materiais verdes que absorvem UV

Por Andressa dos Santos Mascarenhas da Silva


A radiação UV está sempre presente no dia a dia, porém seus níveis são moderados, quando a exposição é muito elevada pode causar grandes problemas como o envelhecimento precoce, o câncer de pele, problemas oculares e até mesmo alterações no sistema imunológico. Os raios UVB são aqueles que causam queimaduras, as manchas vermelhas ardidas que aparecem quando se vai à praia sem protetor solar.

Além de prejudiciais aos seres vivos, também prejudica a durabilidade de materiais não vivos, por exemplo, exteriores e materiais têxteis causando prejuízos financeiros e maior produção de lixo, prejudicando o meio ambiente. Muitos produtos sintéticos orgânicos e físicos à prova de UV estão disponíveis, porém são prejudiciais ao meio ambiente e podem ter impactos na saúde a longo prazo. São exemplos de alguns desses produtos dioxibenzona, avobenzona, TiO2, ZnO2, Mexoryl e Tinosorb.

Visando solucionar esse problema foi desenvolvida a pesquisa explorando as propriedades de absorção de UV de pequenos metabólitos para desenvolver opções de novos materiais verdes de proteção UV eficientes. Foi demonstrado o efeito protetor UV e a ação positiva dos MAAs sobre os fibroblastos da pele humana. Outra vantagem do uso de MAAs é a possibilidade de produção deles em grande escala, através da engenharia genética. Já existem pesquisas com uso de muco e lentes de peixes como filtros solares, por possuírem moleculares naturais designados como micosporinas e aminoácidos semelhantes a micosporinas (MAAs). Devido a essas excelentes propriedades, os MAAs foram recentemente explorados como aditivos em produtos para proteção da pele e como fotoestabilizadores em materiais não vivos para aumentar o tempo e a durabilidade de plásticos, tintas e vernizes.

Alguns dados do estudo mostram potenciais de novos conjugados de quitosana - MAAs com propriedades únicas. A quitosana é natural, ela é encontrada de diversas formas como nos exoesqueletos de crustáceos e insetos e paredes celulares de fungos. Ela possui a vantagem de ser solúvel em meio aquoso levemente ácido, o que  facilita muito mais a preparação de diversas outras formas físicas de produtos, como por exemplo, soluções, emulsões, géis, filmes e fibras. Após diversos testes foi possível comprovar que a quitosana é biocompatível, fotoresistentes e termorresistente, exibe absorção extremamente elevada e eficiente das radiações UV-A e UV-B. Sendo assim, eles têm potencial de proteção eficiente contra os tipos de radiações UV-A e UV-B e ainda são capazes de superar vários deficits dos produtos de proteção UV-A e UV-B atuais

 

 

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