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Obesidade como fator de risco para COVID-19

Atualmente, muito tem se falado sobre a pandemia da COVID-19, que representa um grande desafio para os sistemas de saúde em todo o mundo. Sabe-se que ela é causada pela infecção pelo vírus SARS-CoV-2, comumente chamado de coronavírus, e sua transmissão ocorre, principalmente, por contato direto ou por gotículas espalhadas pela tosse/espirro de uma pessoa infectada. Muitos fatores de risco diferentes estão relacionados à gravidade dessa doença, como idade avançada, diabetes, pressão alta e problemas respiratórios. Mas, você sabia que além das doenças citadas, a obesidade também traz um risco aumentado para COVID-19?

                        
                                                              Fonte: Freepik (2020).

O número de casos de obesidade tem aumentado nos últimos 25 anos, atingindo mais de 2 bilhões de pessoas em todo o mundo, fazendo com que a própria obesidade possa ser considerada uma pandemia. Essa doença é caracterizada pelo acúmulo de gordura corporal, levando a um maior risco de desenvolver doenças no coração e no fígado, pressão alta, diabetes, problemas respiratórios, depressão e alguns tipos de câncer. Isso tudo pode levar à redução da expectativa de vida e morte prematura, o que significa que pessoas com obesidade acabam vivendo menos que pessoas com peso normal. Essas informações deixam claro que a obesidade vem acompanhada de uma série de problemas. Então, qual a sua relação com a COVID-19?

Para entender melhor esse processo, você precisa saber que, no corpo humano, existe um conjunto de células responsáveis por defender o organismo de doenças ou agentes invasores (como alguns vírus, bactérias e fungos, por exemplo), chamado de sistema imunológico. Quando o indivíduo não tem nenhuma doença crônica (como a obesidade), esse sistema funciona muito bem, sendo capaz de combater a maioria das situações que representam riscos à saúde. Porém, no caso de pessoas que já têm uma doença, ele acaba tendo seu funcionamento reduzido, porque a doença que já está instalada no corpo exige um maior trabalho dessas células.

Bom, agora que você já tem uma noção do que é o sistema imunológico, poderá entender o que ocorre no corpo das pessoas com obesidade. O consumo excessivo de nutrientes (açúcares, proteínas, gorduras), sem gasto adequado de energia, aumenta o número e o tamanho de células no organismo chamadas adipócitos. Essas células formam o tecido adiposo, que representa a quantidade de gordura armazenada no corpo, principalmente na região da barriga. Acontece que esses adipócitos são responsáveis por produzir alguns hormônios e outras substâncias chamadas citocinas, que acabam causando inflamações. Assim, pessoas com obesidade estão constantemente usando seu sistema imunológico, tentando defender o corpo de inflamações causadas pelo excesso de gordura.

Além dessa questão imunológica, pessoas obesas acabam tendo problemas na absorção de vitaminas e minerais, nutrientes importantes para manter uma boa imunidade. Isso acontece porque pode haver um desequilíbrio na microbiota intestinal desses indivíduos. E o que isso significa? É importante que você saiba que o intestino não funciona apenas para produzir e armazenar fezes. Ele também é responsável por absorver e aproveitar nutrientes que vêm dos alimentos. Observe a figura para entender melhor o que é microbiota.

                                                        Fonte: Adobe Stock (2020).

A microbiota é o conjunto de microrganismos que vivem no corpo humano. Ela é formada, em sua maioria, por bactérias. Esses microrganismos podem ser classificados em três tipos: 1 – normais, que ajudam a manter o bom funcionamento dos órgãos; 2 – oportunistas, que geralmente não chegam a ser prejudiciais para pessoas com imunidade normal, mas que podem causar doenças a quem estiver com a imunidade baixa; 3 – patogênicos, que podem causar doenças até mesmo em pessoas saudáveis.

Pessoas obesas têm uma maior chance de desenvolver um desequilíbrio entre esses microrganismos. Quando esse desequilíbrio acontece, muitos microrganismos normais (que poderiam ajudar a manter a saúde) acabam morrendo, deixando o corpo mais vulnerável aos oportunistas e patogênicos, como o coronavírus.

A implementação das medidas de quarentena e distanciamento social devido à pandemia tem impactado diretamente o estilo de vida das pessoas em todo o mundo. A modificação dos hábitos alimentares pode ocorrer devido à limitação na disponibilidade e no acesso a determinados alimentos, e pode causar um aumento no consumo de alimentos não saudáveis, como os produtos industrializados. Essas alterações promovem mudanças na microbiota, reduzindo a absorção de nutrientes e prejudicando as respostas do sistema imunológico contra o SARS-CoV-2 (coronavírus).

E o que fazer para amenizar essa situação? Ter um consumo adequado de alimentos naturais, como frutas, verduras, legumes, arroz e feijão, pois eles contêm muitas vitaminas e minerais que ajudam a fortalecer o sistema imunológico, e evitar produtos industrializados (como sorvete, bolachas, salgadinhos de pacote, macarrão instantâneo, refrigerantes), pois, além de serem ricos em açúcar, gordura e sal, eles apresentam valores muito baixos de vitaminas e minerais, não trazendo nenhum benefício ao organismo. Lembre-se que, nesse momento de pandemia, é ainda mais importante tentar fortalecer a saúde.

Referência bibliográfica:

ALBERCA, R. W. et al. Obesity as a risk factor for COVID-19: an overview. Critical Reviews in Food Science and Nutrition, v. 61, n. 13, p. 2262-2276, jun. 2020. DOI: https://doi.org/10.1080/10408398.2020.1775546. Disponível em: https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/10408398.2020.1775546. Acesso em: 02 jul. 2021.

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