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Progressão do envelhecimento biológico associado à COVID-19

 

Um artigo publicado em abril de 2022 na revista Nature communications traz à tona novas informações sobre a relação entre a infecção pelo vírus SARS-Cov-2 e o envelhecimento biológico das células. Desde o início da pandemia da COVID-19 sabemos que a idade cronológica é um fator de risco para o desenvolvimento de formas mais graves da doença, independente da presença de comorbidades relacionadas à idade como: obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares. Posto isso, o processo de envelhecimento biológico pode ser um importante fator de risco da COVID-19 e pode ser mensurado através da idade epigenética. Essa idade epigenética é estimada pelas alterações na expressão gênica relacionadas à idade, que prejudicam as funções fundamentais das células e aumentam o risco de câncer e outras doenças relacionadas à idade.  

Assim, o processo de envelhecimento biológico envolve modificações epigenéticas que podem ser definidas como alterações no DNA que podem afetar a expressão dos genes. Essas modificações epigenéticas podem ser rastreadas e identificadas por biomarcadores do envelhecimento e, dessa forma, podem ser usadas para estimar o envelhecimento epigenético nos tecidos. Segundo o autor, já foi relatado que a idade epigenética no momento da infecção está associada à progressão da COVID-19. No entanto, pouco se sabe sobre o envelhecimento epigenético durante a infecção por SARS-CoV-2 e em sobreviventes de COVID-19, e se esse fator pode ajudar a prever o risco do paciente em desenvolver a forma grave da COVID-19.

Considerando isso, o objetivo do estudo foi de estimar a idade epigenética do tecido sanguíneo em 194 pacientes com COVID-19 de graus leve a moderado, 213 pacientes com COVID-19 grave e 232 indivíduos saudáveis. Assim, foi comparado a idade epigenética de cada indivíduo com sua idade cronológica para avaliar se o envelhecimento epigenético acelerado ou disfuncional está associado à infecção por SARS-CoV-2 e à gravidade da síndrome COVID-19.

Os resultados obtidos da pesquisa demonstraram que houve um aumento significativo do envelhecimento epigenético nas amostras de sangue de pacientes com COVID-19 quando comparados aos indivíduos saudáveis. Além disso, o estudo evidenciou uma associação entre o envelhecimento epigenético acelerado com o risco de infecção por SARS-CoV-2 e desenvolvimento de COVID-19 grave. Os dados da pesquisa também indicaram uma aceleração crescente da idade epigenética nas fases iniciais da doença COVID-19 e que isso pode ser parcialmente revertido em fases posteriores da doença.

Em conclusão, os resultados indicam que o envelhecimento epigenético acelerado está associado ao risco de infecção por SARS-CoV-2 e ao risco de desenvolver COVID-19 na forma grave. Além disso, os resultados sugerem que a COVID-19 pode acelerar o envelhecimento epigenético, o que pode contribuir para a síndrome pós COVID-19. No entanto, essa influência é reversível em alguns pacientes. Juntamente com outros ensaios laboratoriais e características clínicas, a abordagem estudada pode ser útil para identificar os pacientes com risco de desenvolver COVID-19 grave e síndrome pós-COVID-19.


 Referências:

CAO, Xue et al. Accelerated biological aging in COVID-19 patients. Nature communications, v. 13, n. 1, p. 1-7, 2022.

CDC, Centers for Disease Control and Prevention. Disponível em:<https://www.cdc.gov/genomics/disease/epigenetics.htm>. Acesso em 25/05/22.



                                                                                                            Larissa Bianca Amorim

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