A
doença de Chagas ou tripanossomíase americana é considerada um problema de
saúde pública no brasil e em toda a américa latina. Segundo a Organização
mundial da saúde (OMS), estima-se que existem cerca de 6 a 7 milhões de pessoas
infectadas mundialmente. Apesar do grande número de infectados, é uma doença
considerada negligenciada. Isso pois existe um baixo interesse da indústria
farmacêutica para investir na descoberta de novos tratamentos mais eficazes e
com menos efeitos adversos.
A
doença é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e é transmitida através
do contato com as fezes do inseto triatomíneo, conhecido popularmente como
barbeiro, durante a picada do mesmo. A infecção pelo protozoário também pode
ocorrer de forma oral pelo consumo de alimentos contaminados por fezes de
triatomíneos infectados, através da transfusão sanguínea, transplante de órgãos
e a transmissão vertical, que é a passagem da infecção da mãe para o bebê.
Atualmente,
o tratamento da doença de chagas está restrito a apenas dois fármacos, o
nifurtimox e o benznidazol que é o tratamento de primeira escolha no brasil. Considerando
os problemas relacionados ao tratamento com esses fármacos, como o desenvolvimento
de resistência do parasito e os diversos efeitos colaterais como toxicidade renal
e hepática, é necessário o desenvolvimento de novos candidatos a fármacos para
esta doença que tem grande impacto em nosso país.
Diante
desse cenário, nossa pesquisa tem como objetivo a busca por novos compostos
capazes de tratar a doença de chagas. Para isso, utilizamos ferramentas da
química medicinal para planejar e sintetizar moléculas inéditas, inspiradas na
estrutura molecular do fármaco benznidazol.
Sendo
assim, foram sintetizados dezessete compostos com estruturas baseadas na
molécula do benznidazol e esses compostos serão enviados ao laboratório de
Parasitologia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto para avaliação
da atividade biológica. Lá as moléculas sintetizadas serão testadas
em experimentos in vitro para avaliar sua atividade contra o parasita T.
cruzi. Também será realizado o teste de citotoxicidade a fim de verificar se os
compostos são seguros e não causam danos ou lesões às células humanas.
Os
resultados dos experimentos de atividade antitripanossoma e citotoxicidade trarão
novas perspectivas para o nosso, assim como outros, grupos de pesquisa e nos
darão importantes informações acerca da relação entre a estrutura molecular do
composto e sua atividade contra o parasita. Assim, auxiliando a orientar o
planejamento de novos candidatos a fármacos para o tratamento da doença de
Chagas.
Referências:
WHO. World Health Organization
(WHO). Chagas disease. Disponível em: <https://www.who.int/health-topics/chagas-disease#tab=tab_1>.
Acesso em 20/05/22.
DE
SOUSA LIMA, Ronildo. Doença de Chagas: uma atualização bibliográfica. RBAC, v. 51, n. 2, p. 103-06, 2019.
FERREIRA, E. I. Planejamento de fármacos na área de doença de chagas: avanços e desafios. Revista Virtual de Química, v. 4, n. 3, p. 225-246, 2012.
Larissa Bianca Amorim
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