A genética conseguiu que as estirpes de suínos com capacidades produtivas impensáveis há alguns anos estão atualmente disponíveis. Muitos parâmetros, como a prolificidade das porcas, a taxa de conversão ou o ganho médio diário, melhoraram substancialmente graças aos programas nacionais de melhoramento e reprodução.
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Figura 1: Bactérias probióticas. |
No
entanto, os suínos atuais foram selecionados principalmente por essas
características produtivas, mas sem levar em conta sua resistência a doenças,
muito diferente de seus ancestrais. Além disso, esses animais são explorados
intensivamente, levando a fisiologia digestiva a valores limite, sendo muito frequente o aparecimento de problemas
digestivos.
Por outro lado, o
grande aumento do custo das matérias-primas para alimentação animal fez com que
a composição destas se alterasse significativamente. Dependendo das
matérias-primas disponíveis e dos preços de mercado, são concebidas novas
formulações que, contribuem para alterar a ecologia digestiva e causar
distúrbios gastroentéricos.
A suinocultura
é uma das fases que apresenta os maiores desafios ao nível da saúde, e onde
existem elevadas taxas de mortalidade, entre outros fatores, pelo fato de que
os mecanismos de defesa do recém-nascido não estarem desenvolvidos.
Um dos procedimentos tradicionais utilizados é o
fornecimento de antibióticos, no entanto, eles têm sido utilizados de forma
inadequada e em altas doses, gerando o surgimento de cepas resistentes cada vez
mais patogênicas e com implicações negativas na saúde humana e animal. Por essa
razão, a União Europeia proibiu seu uso, promovendo pesquisas sobre a aplicação
de probióticos.
Uma alternativa ao uso de antibióticos é a bactéria
probiótica (Figura 1) do ácido lático fornecida através de inóculos, com o objetivo de
equilibrar a microbiota intestinal. Os probióticos utilizados em suínos reduzem
ou eliminam patógenos no trato gastrointestinal, bem como resíduos de
antibióticos e outras substâncias similares em produtos finais, melhorando a
taxa de conversão e reduzindo a incidência de diarreia.
O termo probiótico é uma palavra relativamente nova
que significa "para a vida" definida internacionalmente como:
microrganismos vivos que, quando ingeridos em quantidades adequadas, exercem
uma influência positiva na saúde ou fisiologia do hospedeiro, além daquela
inerente à nutrição em geral. Os probióticos são considerados alimentos
funcionais, ou seja, alimentos enriquecidos que não só proporcionam àqueles
que os ingerem benefícios meramente nutricionais, mas também outros que lhes
permitem melhorar sua saúde.
Assim, tanto os probióticos quanto os prebióticos,
além de nutrir aqueles que os consomem, colonizam o intestino modificando
positivamente a flora intestinal e melhorando o funcionamento do sistema
imunológico e, portanto, a saúde geral do organismo. Os probióticos
atualmente utilizados na América Latina são importados de países como o
Japão, o que implica altos custos de aquisição e
transporte, além da aplicação de bactérias probióticas que são produzidas
industrialmente, in vivo, muitas vezes geram resultados muito
variáveis.
É importante notar
que a resposta ao uso de probióticos na dieta depende em parte da cepa
utilizada, pois nem todas as cepas têm a mesma capacidade de modulação da
microflora intestinal ou a mesma capacidade de se ligar às células intestinais.
Nesse sentido, vários métodos têm sido
desenvolvidos para a identificação de cepas probióticas que incluem análise
morfológica de colônias, análise bioquímica através de testes de fermentação de
carboidratos e atualmente análise genética para diferenciação de
espécies.
Tem sido
descrito que algumas técnicas moleculares podem ser úteis na identificação dos
microrganismos em questão, dentre as quais aquelas baseadas na reação em cadeia
da polimerase (PCR) e polimorfismos de comprimento de fragmento de restrição
(RFLP) que são extremamente valiosos tanto para a caracterização específica
quanto para a detecção de tais cepas.
Portanto, há a necessidade de busca contínua de
cepas probióticas autóctones, mais bem adaptadas às necessidades nacionais e
com características específicas que contribuam para a melhoria da saúde animal.
Imagem: shutterstock_524613634.jpg (1200×628) (guiadafarmacia.com.br).
Autores: Amanda Rosario Gomez Ibarra; Alberto Espinosa Gravito; Mauricio Diaz; Maria Helena Fermiano; Thaís Furtado Nani; Thalita Bachelli Riul.
Contato: majosdiz84@hotmail.com

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